Sobre

A ACAM – Associação dos Criadores de Abelhas do Amazonas, é uma pessoa jurídica sem fins lucrativos, fundada em 2000 para atender a diversos pressupostos, inclusive sociológico, expostos pelo Dr. Kerr em um artigo, do qual se extrai o seguinte trecho: “Algumas idéias de W. E. Magnusson (1993), para o manejo da vida silvestre na Amazônia, aplicam-se às abelhas nativas. Esse autor diz que o maior impedimento ao desenvolvimento do manejo da vida silvestre é a falta de pessoal qualificado. Portanto, para solucionar esse problema, desde 1981, estimulamos a idéia, no meio científico e de extensão universitária, de que antes de pôr nas mãos de um interessado uma colméia de meliponínio (abelha sem ferrão) é necessário que essa pessoa receba um treinamento a fim de ficar qualificado em:

a) transferir uma colônia de um tronco (usualmente morto há vários meses ou proveniente de um desmatamento) onde houvesse uma colônia de abelha, para uma colméia de volume e tipo adequados;

b) ensinar a manter, alimentar, combater o forídeo Pseudohypocera kerstezi, e evitar o saque por outras abelhas;

c) ensinar a dividir, especialmente usando o método de perturbação mínima;

d) colocá-lo em contato com outros meliponicultores a fim de aprender a promover a troca de rainhas.’

Desde a sua fundação, a atividade de criação de abelhas tomou um forte impulso, posto que até esta data era uma atividade desconhecida do grande público. No primeiro inventário, o próprio Dr. Kerr demonstrou: em três anos, de 1999 a 2001, o número de colônias de meliponíneos saltou de 363 para 1.071. Em outro levantamento, salientaram o Dr. Kerr e Dra. Gislene-Zilse, o número aumentou para 5.214 colônias, para o universo de 300 meliponicultores. Atualmente, o número é muito maior, no entanto não se concluiu o inventário.

O impulso à criação de abelhas sem ferrão decorreu dos vários cursos de iniciação promovidos por conta do interesse despertado nas pessoas ao conhecerem as vantagens da criação de abelhas. A divulgação, os cursos e os encontros dos criadores promovidos pela ACAM não se restringem só às abelhas sem ferrão, mas também às abelhas com ferrão. No entanto, pela dificuldade de florada, a apicultura não teve o mesmo desenvolvimento que a meliponicultura.

Além da criação de abelhas como técnica, a ACAM tem desenvolvido nos criadores o lema da preservação ambiental com o enriquecimento de plantas atrativas para abelhas, visto que a floresta oferece pouca florada, o que tem dificultado a produção de mel quando há o aumento de colônias na mesma área ou meliponário.

Desde a sua fundação, a ACAM tem contado com a colaboração, parceria e incentivo de varias entidades públicas, como o INPA, UFAM, MAPA, IFAM, BANCO DO BRASIL, SEPROR, SUFRAMA, o que tem possibilitado a realização de cursos, encontros, dias de campo, palestras.

Com a liberação e colaboração da SUFRAMA, foi idealizado um Polo de Meliponicultura, com 67 lotes de terra para destinação aos criadores de abelhas, estando a área toda dividida e aguardando apenas a abertura das estradas vicinais para possibilitar a ocupação dos lotes e implementar a implantação do polo produtivo de mel de meliponíneos.

Como apoio científico à criação de abelhas sem ferrão no Amazonas, foi instalado pelo Dr. Kerr o GPA – Grupo de Pesquisa com Abelhas, no INPA, hoje sob orientação da Dra. Gislene-Zilse, do qual muitos trabalhos científicos já foram publicados, bem como o desenvolvimento de projetos de extensão junto a ribeirinhos e indígenas. Neste particular, cabe destacar a colaboração para as pesquisas científicas dada pelos meliponicultores, possibilitando o acesso dos pesquisadores quando necessitam de espécimes para a elaboração e conclusão de suas pesquisas.